Filmes

Resenha: Logan Lucky – Roubo em Família

Filme tem ótima direção, boa história e bom elenco

Com um elenco de peso, uma ótima direção e uma boa história para contar, quais são as chances de assistir ao filme? Quase todas, né? É isso que acontece com Logan Lucky – Roubo em Família. Dirigido por Steven Soderbergh (trilogia Onze Homens e Um Segredo), o filme conta a história da família Logan e a superstição de que uma maldição assombra os integrantes há muito tempo, trazendo-lhes azar em qualquer área da vida deles.

Jimmy Logan (Channing Tatum) é um pai divorciado que trabalha em uma empresa de manutenção de escavações. Por não ter relatado sobre o problema em sua perna para a empresa, o rapaz é dispensado do trabalho. Para poder pagar as contas, não passar sufoco e ainda tentar dar do bom e do melhor para sua filha Sadie (Farrah Mackenzie) para não correr o risco de perdê-la, Jimmy tem a brilhante ideia de executar um grande assalto no banco de sua cidade. Junto com o seu irmão Clyde Logan (Adam Driver), um barman que perdeu o antebraço durante a guerra no Iraque, os dois arquitetam o plano que será executado durante uma corrida da Nascar. No entanto, por não manjarem muito bem da área criminosa, eles precisam de alguém que tenha essa expertise. Assim, eles contam com a ajuda de Joe Bang (Daniel Craig), um presidiário habilidoso e entendedor de explosivos peculiares. Mas antes de seguir em frente com a ideia, eles precisam tirá-lo da cadeia primeiro.

O que faz Logan Lucky ser um bom filme? Além da direção de Soderbergh, o roteiro é o primeiro ponto positivo. Assinado por Rebecca Blunt (pseudônimo já comprovado), o público irá acompanhar uma história de ação sobre roubo de banco de um jeito mais divertido e inteligente. É bem provável que muitos já tenham visto histórias similares, mas o que faz Logan Lucky ter um diferencial é a forma como a história é desenvolvida. O filme se preocupa em construir a forma como os personagens irão assaltar ao invés de focar somente em cenas de ação com tiros e bombas. Aliás, nem tiro tem. Por optar por um recorte mais estrutural, ou seja, em construir a atmosfera da ação, o filme torna-se um pouco mais lento do que estamos acostumados a ver em longas do mesmo gênero, mas isso não o torna menos divertido.

Assista ao novo trailer de Star Wars: Os Últimos Jedi 

Outro ponto positivo é a construção dos personagens. Para executar um grande assalto, tal ação requer habilidade, agilidade e esperteza, certo? O filme nos mostra o oposto dessas características, nos apresentando personagens caipiras, desengonçados, com dificuldade em captar a ideia rapidamente e, é claro, sem sorte. Aqui, a incerteza é o que define esse assalto, mas também é o que garante ótimas cenas, como quando a prótese de Clyde é sugada por um cano. Não tem como não rir disso. Além disso, os diálogos são bons e ainda ganham aquela entonação acentuada da região sul dos Estados Unidos.  

E por falar em personagens, o elenco é o que fecha o saldo positivo do filme. Channing Tatum (Kingsman: O Círculo Dourado) está amadurecendo no cinema aos poucos e não podemos dizer ao contrário. Aqui, ele entrega um Jimmy caipira e atrapalhado, mas determinado em executar o assalto e alcançar o seu objetivo. Esse lado “pedreiro” dele é quebrado com sua filha Sadie, uma garota encantadora que te surpreende ao se dedicar ao concurso de talentos em que está participando e saber o nome das ferramentas que seu pai usa para arrumar o motor do carro. As cenas dos dois são fofas e super divertidas sem desviar do objetivo do filme.

Adam Driver também está dando o que falar no cinema (Star Wars: O Despertar da Força). Não sei se o personagem é assim devido ao seu antebraço amputado, mas Clyde é mais fechado e tem dificuldade em encarar as pessoas enquanto fala com elas. Mas se alguém mexer com o seu irmão, toda a sua introspecção fica de lado e certas atitudes dele também rendem cenas bem legais. Pra completar a família, temos Mellie Logan (Riley Keough), irmã caçula, uma cabelereira dedicada, mas também um pouco atrapalhada.

Quem também rouba a cena é Daniel Craig na pele do presidiário Joe Bang. Quem está acostumado a vê-lo todo requintado na pele de James Bond, vai adorar ver o ator com o cabelo descolorido, esperto e meio malandro. Ele e os irmãos Logan elaboram um assalto a banco bem improvável.

O filme ainda conta com a presença de Katie Holmes, Katherine Waterston, Sebastian Stan e Hilary Swank que, mesmo com papeis menores, dão um complemento formidável ao filme.

Considerações finais

Mesmo com uma história similar ao que já vimos em outros filmes, Logan Lucky - Roubo em Família ganha um toque diferencial com a ótima direção, a boa construção de personagens desajustados e atrapalhados, bons diálogos e um elenco com uma química que funciona muito bem. Mesmo com um ritmo mais lento, a trama diverte o público. É um entretenimento inteligente.

Ficha Técnica

Logan Lucky – Roubo em Família

Direção: Steven Soderbergh

Elenco: Channing Tatum, Adam Driver, Daniel Craig, Riley Keough, Farrah Mackenzie, Seth MacFarlane, Katie Holmes, Katherine Waterston, Dwight Yoakam, Sebastian Stan, Hilary Swank, Jack Quaid, Brian Gleeson, David Denman, Macon Blair, Matty Cardarople e Charles Halford.

Duração: 1h58min

Nota: 8,0