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Resenha: Kingsman: O Círculo Dourado

Filme diverte, mas se apoia no primeiro filme

Recentemente assisti Kingsman: Serviço Secreto e, mesmo tendo perdido a oportunidade de vê-lo no cinema, foi um privilégio poder ver o primeiro filme perto da estreia de sua sequência, pois a história ficou bem fresca na minha mente e ainda pude fazer comparações mais nítidas entre os filmes. Vou direto ao ponto: o primeiro filme é bem melhor, mas isso não quer dizer que a sequência seja ruim. Kingsman: O Círculo Dourado traz ótima diversão ao público, mas não é tão inovador, se apoia em cenas nostálgicas do primeiro filme e apresenta uma vilã que poderia ter aproveitado mais o seu lado audacioso e maléfico. Calma que já vou explicar melhor.

Se o primeiro filme apresentou a Kingsman – uma agência internacional de inteligência de operação do mais alto nível de descrição, cujo objetivo é manter o mundo a salvo e ainda nos presentou com o passo a passo de como entrar na agência, repleto de excelentes cenas de ação e luta, além da famosa cena da Igreja, o novo filme dirigido por Matthew Vaughn mostra a decadência e destruição completa deste serviço secreto refinado. Na trama, um súbito e grandioso ataque de mísseis praticamente elimina a Kingsman que, no momento, conta somente com Eggsy (Taron Egerton) e Merlin (Mark Strong) como remanescentes. Em busca de ajuda, eles partem para os Estados Unidos à procura da Statesman, uma organização secreta de espionagem onde trabalham os agentes Tequila (Channing Tatum), Whiskey (Pedro Pascal), Champagne (Jeff Bridges) e Ginger (Halle Berry). Juntos, eles precisam unir forças contra a grande responsável pelo ataque: Poppy (Jullianne Moore), a maior traficante de drogas da atualidade, que elabora um plano para sair do anonimato.

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Com quase duas horas e meia de duração, nota-se que o roteiro ganha uma extensão que pode cansar, mas não tanto devido às incríveis cenas de ação. O filme já começa a todo o vapor, com Eggsy tendo que lidar com um ataque surpresa a caminho da casa de sua namorada, a princesa Tilde (Hanna Alstrom), a mesma quem ele resgata no final do primeiro filme. O longa não perde tempo em apresentar o inimigo e mostrar a que veio e, no desenrolar dessa perseguição entre gato e rato, o filme já introduz o novo serviço secreto dos EUA, os respectivos agentes que levam nome de bebida (achei isso formidável) e a interação entre eles, uma vez que a personalidade de cada um difere bastante e traz boa dose de diversão.

Junto com essa introdução, o filme também não perde tempo em responder a grande questão: o que aconteceu com Harry Hart/Agente Galahad (Colin Firth)? Quem assistiu ao primeiro filme viu que Harry leva um tiro na cabeça e morre. No entanto, o trailer da sequência mostra que ele está vivíssimo. Posso dizer que tal justificativa da sobrevivência de Harry é compreensível e se alinha a essa nova trama. Tal acidente ainda deixa sequelas em Harry, o que torna o seu arco mais interessante e se conecta bem com a aventura de Kingsman: O Círculo Dourado. O retorno do personagem ao mundo dos agentes secretos não é superficial e o roteiro toma o cuidado em trazê-lo aos poucos, explorando a sua vulnerabilidade.

Resenha: Mãe!

Junto com a apresentação da Statesman e o retorno de Harry Hart, o filme bebe da nostalgia do primeiro filme, relembrando as mesmas cenas para introduzir os novos personagens. Por um lado é legal reviver os bons momentos, mas por outro, revela que o roteiro é um pouco preguiçoso por não inovar, já que mostra sequências que ainda estão frescas na mente dos fãs de Kingsman. Não vou dizer quais cenas são, para isso você tem que assistir e descobrir. Além disso, há uma cena em que Eggsy e Whisky precisam ir atrás de uma pista. Na minha opinião, o que acontece nessa cena é totalmente desnecessária à trama e até agora não entendi a razão de estar no filme. Se a abordagem dessa cena tivesse sido mais simples teria sido melhor. Em compensação, o filme nos presenteia com a participação magnífica de Elton John que, para mim, é simplesmente sensacional. Não vou dizer como ele é introduzido na trama e o que ele faz. A graça está em assistir e se deliciar com esse momento.

Personagens

Taron Egerton continua muito bem no papel de Eggsy, só que agora mais maduro, mais adulto e determinado, quase um Kingsman por completo. Digo quase, pois Eggsy ainda comete alguns deslizes sendo que um deles faz o inimigo dar um passo ainda mais largo para o seu objetivo. No entanto, achei isso legal, pois esse ato lembra de quando Harry também errou no primeiro filme, quando uma armadilha passa despercebida e mata o pai de Eggsy. A química dele com Colin Firth e Mark Strong continua ótima, rendendo cenas de lutas vibrantes com direito à famosa faca no sapato, o guarda-chuva à prova de balas, maletas atiradoras, entre outros equipamentos de última geração à lá Kingsman.

A novidade desta vez é a presença de Jullianne Moore na pele da vilã Poppy. Infelizmente ela é a quem mais me decepcionou. Talvez eu estivesse com muitas expectativas? Pode ser, mas mesmo assim, esperava mais ação e muito mais atitude da antagonista. A ideia de trazer à trama uma traficante de drogas de alto nível é ótima, mas tal ideia perde a graça e entedia quando vemos a vilã agir somente atrás de um balcão de uma lanchonete, cujo esconderijo se encontra em uma espécie de floresta secreta. Por mais que suas armas sejam de última linha, Poppy se apoia mais nos equipamentos, nos seus ajudantes e cães robôs ao invés de dar a cara a tapa, assim como fez o vilão Valentine no primeiro filme, vivido por Samuel L. Jackson.

Indo para a Statesman, temos uma agência secreta cujos personagens ganham uma personalidade caipira e bem arretada. Pedro Pascal cumpre o seu papel e entrega um Whisky atento a tudo, veloz e bom de chicote. A cena de luta como apresentação do personagem é a demonstração perfeita do que um statesman é capaz de fazer com o seu inimigo. Já o personagem Tequila, vivido por Channing Tatum não passa de uma participação especial, já que ele tem poucas cenas e logo é tirado da jogada. Quem adora o ator, ficará triste com isso. Mas quem não curte muito, ficará satisfeito em vê-lo pouco. Assim como Tequila, Champagne (Jeff Bridges) também aparece pouco, uma vez que ele é o líder e só orienta o plano e dá os comandos aos seus agentes.

Halle Berry ganha mais espaço na trama uma vez que a personagem Ginger é a versão feminina de Merlin na Statesman. Gostei dela especialmente pelo seu potencial, que poderia ter sido um pouco mais explorado. Mas isso é apenas a minha opinião.

Considerações finais

O final é satisfatório, mas não 100% feliz devido a alguns percalços. Kinsgman: O Círculo Dourado não é melhor que o primeiro filme, se apoia em cenas nostálgicas desfavorecendo o roteiro em termos de inovação, além de uma cena um tanto quanto desnecessária. Tirando a vilã que fica um pouco a desejar, os personagens continuam excelentes e executam boas cenas de ação. Além disso, o filme deixa uma leve porta aberta para uma nova sequência. Vamos aguardar para saber se vai ter mesmo.

Ficha Técnica

Kingsman: O Círculo Dourado

Direção: Matthew Vaughn

Elenco: Taron Egerton, Colin Firth, Jullianne Moore, Mark Strong, Halle Berry, Pedro Pascal, Channing Tatum, Jeff Bridges, Edward Holcroft, Hanna Alstrom, Elton John, Sophie Cookson, Michael Gambon, Calvin Demba, Thomas Turgoose, Keith Allen, Bjorn Granath e Lena Endre.

Duração: 2h21min

Nota: 7,5