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Resenha: Death Note: Iluminando Um Novo Mundo

Roteiro é confuso e traz a mesma fórmula dos filmes anteriores

Lançado no Japão no dia 26 de outubro de 2016, Death Note: Iluminando Um Novo Mundo, terceiro longa da saga Death Note, chega ao Brasil agora em 2017. A nova sequência dirigida por Shinsuke Sato se passa dez anos após a última batalha de Raito/Light e ‘L’. A Força-Tarefa Death Note, originalmente criada pelo policial Soichiro Yagami (pai de Raito), é reintegrada e composta por cinco investigadores, incluindo Mikami (Kensei Mikami) – experiente no assunto; e Matsuda (Sota Aoyama), único do grupo do original. Shibuya, Wall Street e Rússia estão em alerta, com novos assassinatos feitos pelo caderno. Um investigador privado de renome mundial e considerado o sucessor de ‘L’, Ryuzaki (Sosuke Ikematsu), se junta à força-tarefa e descobre que há seis Death Notes espalhados pelo mundo. O terceiro filme se passa dez anos após os acontecimentos do segundo filme. Mesmo sendo uma continuação, a trama é totalmente nova e não faz parte das histórias dos mangás e nem do anime Death Note.

O filme começa com duas cenas instigantes: a primeira é de um médico russo que, ocasionalmente, se depara com o Death Note na porta de sua casa e comprova que o caderno realmente funciona, logo em seguida se deparando com o seu shinigami. Depois disso, acompanhamos Sakura, uma garota que perde completamente a sua sanidade ao sair matando pessoas aleatórias pelas ruas com o Death Note. Essas duas cenas servem para mostrar o retorno do caderno e de possíveis novos Kiras, além de apresentar Ryuzaki, o novo ‘L’ dessa nova jornada.

Maratona Death Note

Assim como os dois primeiros, o terceiro filme também ganha um roteiro extenso e recheado de detalhes para apresentar novamente o Death Note, a origem de Kira e lembrar os antigos protagonistas Light e ‘L’. Por um lado, o filme acerta em contextualizar o público relembrando a história original e fazendo boas referências aos antigos personagens (confesso que curti esse momento). Por outro lado, tal introdução se prolonga demais, o que torna alguns momentos do filme cansativos.

À medida que avançamos na história, o público descobre que há sucessores tanto de ‘L’ quanto de Raito/Light. Tão logo somos apresentados a Ryuzaki, que carrega algumas características peculiares de ‘L’. No entanto, a forma como o filme explica a aparição desses sucessores não faz muito sentido, deixando o espectador bastante confuso. Não entrarei em detalhes para não dar SPOILER, mas quem for assistir, sugiro que preste atenção a esse importante detalhe, mas que não é bem trabalhado no filme.

O ponto alto de Death Note: Iluminando Um Novo Mundo é a reviravolta. Aliás, o que não falta nesse filme são reviravoltas, porém todas elas acontecem uma seguida da outra, sem deixar que o espectador processe com clareza exatamente o que está acontecendo. Infelizmente essa sequência de reviravoltas é desestruturada e descompassada, o que pode deixar o público um pouco confuso. Mesmo assim, é possível tirar conclusões ao conectar os acontecimentos, mas não é possível saber se esse novo quebra-cabeça está montado corretamente, uma vez que o próprio filme não responde com tanta clareza, deixando que cada um reflita de um jeito diferente a respeito do que viu. Há também um excesso de personagens na trama, sendo que apenas quatro ou cinco ganham destaque, mas nem assim eles são bem desenvolvidos.

Com relação à parte técnica, os efeitos especiais estão superiores aos dois primeiros longas. Os Deuses da Morte ganham uma produção um pouco mais refinada, com traços mais reais e de boa qualidade. O destaque vai para Ryuk que, desta vez, está um pouco mais sombrio nesta nova caça de gato e rato. Além disso, as cenas de luta e explosões não ficam a desejar.

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Infelizmente todas essas reviravoltas são solucionadas com a mesma fórmula e os mesmos truques dos filmes anteriores, o que não surpreende em praticamente nada. Se você assistiu aos filmes, vai identificar com precisão os truques e perceber que não há nada de tão inovador na história.

Considerações finais

Death Note: Iluminando Um Novo Mundo veio para reacender a história e trazer novos conflitos e resoluções tanto aos novos personagens quanto aos antigos, como é o caso de Misa (Erika Toda). No entanto, o filme se estende demais e fica cansativo à medida que as reviravoltas acontecem de modo descompassado, tornando a história confusa e sem inovação. Acredito que a se o filme fosse mais curto, com menos reviravoltas e personagens, talvez, teria funcionado melhor. Talvez.

Ficha Técnica

Death Note: Iluminando Um Novo Mundo

Direção: Shinsuke Sato

Elenco: Masahiro Higashide, Sosuke Ikematsu, Masaki Suda, Erika Toda, Rina Kawaei, Mina Fujii, Nakamura Shidô II (dublador de Ryuk), Miyuki Sawashiro (dubladora de Arma), Tori Matsuzaka (dublador de Beppo), Sota Aoyama e Eiichiro Funakoshi.

Duração: 2h15min

Nota: 5,5