Filmes

Maratona Death Note

Live-actions adaptadas da obra de Tsugumi Ohba

Para entrar no ritmo da estreia de Death Note na Netflix, que tal conhecermos as live-actions japonesas baseadas no famoso mangá escrito por Tsugumi Ohba e ilustrado por Takeshi Obata? A primeira live-action de Death Note estreou no Japão no dia 17 de junho de 2006, enquanto que a sequência intitulada Death Note: O Último Nome (The Last Name) foi lançado no dia 3 de novembro de 2006. Ambos foram dirigidos por Shinsuke Sato, escritos por Tetsuya Oishi, produzidos pela Nippon Television e distribuídos pela Warner Bros.

O primeiro filme vai nos contar a história de Raito Yagami (Tatsuya Fujiwara), conhecido no Brasil como Light, um estudante universitário cuja vida sofre uma mudança drástica ao se deparar com um caderno misterioso chamado ‘Death Note’. As instruções afirmam que se o nome de uma pessoa for escrito dentro dele enquanto o dono imagina o seu rosto, tal alvo morre em 40 segundos de ataque cardíaco, caso a morte não seja especificada. Uma vez especificada, a vítima leva 6 minutos e 40 segundos para morrer. A princípio, Raito/Light duvida do caderno, mas depois de testá-lo descobre que tudo o que está escrito no manual é real. Após o encontro com o anterior proprietário, um Shinigami (Deus da Morte) chamado Ryuk (dublado por Shidow Nakamura), Raito tenta se tornar o “deus do novo mundo”, matando criminosos e diminuindo a taxa de criminalidade no Japão a partir do juízo que ele tem sobre aqueles que o garoto considera ser mal. Após meses matando, Raito é apelidado de Kira e ganha a total atenção do FBI devido ao número de mortes aumentar drasticamente. No seu caminho entra ‘L’ (Kenichi Matsuyama), um dos melhores detetives do mundo que começa a investigar sobre a identidade de Kira. A corrida entre L e Kira começa com o intuito de um descobrir a identidade do outro, dando início a um jogo psicológico muito perigoso.

Em Death Note: O Último Nome, Raito/Light se junta a uma força-tarefa para procurar Kira e evitar suspeitas sobre si, podendo assim se livrar de ‘L’ e de sua habilidade de coletar informações de casos considerados insolúveis. Contudo, Raito consegue manipular habilmente o caderno da morte, agitando e perturbando a investigação. Assim, o futuro da humanidade fica à mercê dessa batalha entre o garoto e o investigador.

Resenha - Death Note: Iluminando Um Novo Mundo 

O roteiro de ambos os filmes é extenso e detalhado, apresentando e desenvolvendo razoavelmente bem os personagens principais, especialmente o jogo psicológico entre os protagonistas. A atuação chega a ser um pouco engessada em alguns momentos, principalmente nas cenas que exigem mais emoção e uma dose de insanidade, especialmente de Raito/Light. Mas isso não chega a ser um fator negativo de grande peso, pois o espectador “se acostuma” no decorrer dos filmes.

Por ser tratar de um jogo psicológico e um quebra-cabeça para montar e desmascarar o “vilão” Kira, a história ganha diversas cenas que vêm e vão (ao estilo ioiô) e algumas reviravoltas para confundir o espectador. Não leve isso como algo ruim, pois nos dois filmes, o quebra-cabeça ganha explicações plausíveis ao estilo Sherlock Holmes, algo que prenderá a atenção do espectador e até encantá-lo. Particularmente, eu gostei.

Personagens

Diante do propósito e das atitudes, Raito/Light (Tatsuya Fujiwara) é um herói ou vilão? É até difícil responder, uma vez que muitos dividem essa mesma dúvida. Desde pequeno, o jovem anseia em seguir os passos de seu pai e se tornar um grande investigador. Mas à medida que ele percebe o quão poderoso e prático é o Death Note, Raito mergulha em uma escuridão em que ele distorce completamente o significado de justiça. Além de eliminar os criminosos “de graça”, ele passa a manipular as pessoas e as situações a seu favor, tirando qualquer empecilho que atrapalhar os seus planos ou revelar a sua identidade, o que acaba arriscando a vida de inocentes nesse jogo perigoso. A cada ato, Raito ganha camadas complexas, misturando o seu lado de cidadão justo com o seu lado insano despertado pelo Death Note.

Para não descobrirem o seu verdadeiro nome, o investigador ‘L’ é chamado de Ryuzaki, pois ninguém pode saber seu verdadeiro nome, especialmente seu arqui-inimigo. Kenichi Matsuyama interpreta um personagem extremamente peculiar, uma mistura de Sherlock Holmes com características físicas do menininho do filme O Grito, com uma pele extremamente clara e olheiras bem profundas. Sua inteligência rara e a habilidade de resolver casos insolúveis é que vai chamar a atenção e hipnotizar o espectador. É como se ‘L’ conseguisse entrar na mente de cada um e saber exatamente o que está pensando. Logo de cara ele sabe que Raito é Kira (calma isso não é spoiler) e a forma como ele conecta os fatos para provar a sua afirmação é muito interessante. ’L’ tem atitudes e trejeitos estranhos e muito engraçados: ele não senta, apenas fica agachado em cima da cadeira e gosta de andar descalço; ele passa o tempo todo comendo diversos tipos de doces, o que chega a dar uma agonia imensa em que está assistindo. Será que o excesso de açúcar é para mantê-lo acordado e ligado a tudo o que acontece ao seu redor?; Além disso, ele manipula os objetos apenas com as pontas dos dedos, mas não por sentir nojo. Ele simplesmente é assim e isso é sensacional. É um personagem que causa estranheza no começo, mas te conquista com todos os seus detalhes excêntricos.

Misa (Erika Toda) é introduzida na trama apenas com uma excêntrica apresentadora de televisão, mas que ganha espaço no filme assim que um Death Note cai em suas mãos após sofrer um ataque. Após esse acontecimento, ela se apaixona por Kira, e tal paixão a deixa completamente cega a ponto de ela fazer qualquer coisa pelo seu amado, inclusive matar.

Já o personagem Ryuk ganha uma animação de má qualidade, o que pode incomodar bastante as pessoas. Por ser o Deus da Morte, espera-se um personagem mais sombrio, arredio, calculista e frio, no entanto, Ryuk ganha uma personalidade cômica em vários momentos, como se fosse o “cara do rolê que adora zoar a galera”, além de adorar tudo o que Raito está fazendo. Mas também, Ryuk é aquele tipo de personagem que não se deve confiar muito, afinal você não sabe o que ele pode fazer. Por esperar um lado mais obscuro de Ryuk, acabei me decepcionando um pouco com o personagem. Talvez ele realmente seja assim no anime e no mangá, mas como não li e nem assisti ao desenho, não posso afirmar.

Considerações finais

Death Note e Death Note: O Último Nome apresentam boas tramas, boas apresentações e conquistam o público com os seus dois protagonistas (Raito e L), que desenvolvem bem suas personalidades a medida que se enfrentam. O roteiro ganha força com o jogo psicológico e o desfecho de ambos os filmes são razoavelmente bons. No geral, as interpretações não são tão boas, mas dá para relevar, ou seja, os filmes não são insuportáveis e nem impossíveis de assistir. Seria um exagero dizer isso. É possível se entreter com a trama e até se surpreender com o caminho que ela percorre. Infelizmente, a animação dos shinigamis fica muito a desejar devido à má qualidade da produção. Mesmo com os prós e contras, vale a pena assistir aos filmes e ver como o mangá foi adaptado. Eu ainda não assisti ao anime, mas fica a dica de acompanhar essa produção que acredito que seja bastante interessante.

Ficha Técnica

Death Note/ Death Note: O Último Nome

Direção: Shinsuke Sato

Elenco: Tatsuya Fujiwara, Kenichi Matsuyama, Erika Toda, Shidow Nakamura, Asaka Seto, Shunji Fujimura, Takeshi Kaga, Hikari Mitsushima, Shin Shimizu e Yuu Kashii.

Duração: Death Note: 1h50min

Death Note: O Último Nome: 2h20min

Nota: 6,9