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Resenha: Os Meninos Que Enganavam Nazistas

Uma história fraternal em meio a guerra

Novamente temos um filme em que a guerra é apenas o pano de fundo, mas a temática nos leva a conhecer uma história de amor fraternal. Baseada na história real e autobiográfica dos irmãos Joffo, Os Meninos Que Enganavam Nazistas se passa na Segunda Guerra Mundial (1941-1944). Aos 10 e 12 anos, Joseph (Dorian Le Clech) e Maurice (Batyste Fleurial) precisam se separar de seus pais e irmãos mais velhos em razão da ocupação nazista em Paris e a perseguição aos judeus. Eles recebem um pouco de dinheiro de seu pai para escaparem sozinhos da cidade a caminho da Zona Livre. Neste percurso, os garotos ficam presos em meio à guerra e são ajudados, ocasionalmente, pelas pessoas que os encontram, sobrevivendo dia após dia até reencontrar a família e a paz novamente.

Dirigido pelo canadense Christian Duguay, o roteiro constrói um ambiente angustiante, tenso e triste, cuja atmosfera ganha um toque de delicadeza e muita emoção ao retratar a jornada dos garotos em meio à brutalidade nazista. Durante os três atos vemos os percalços pelos quais os irmãos passam, conseguindo enganar o “inimigo”, passar despercebidos, reencontrar a família e separar dela novamente à medida que o ambiente se torna hostil e a perseguição cresce drasticamente. No entanto, não espere uma história bruta e extremamente dolorosa, por mais que o cenário seja um dos mais horríveis que o mundo já passou, pois o filme nos dá um ponto de vista diferente. A narrativa ganha humor, ternura, amor e esperança sob o olhar de Joseph, que preserva a infância e a ingenuidade por meio de brincadeiras, especialmente com o seu irmão e companheiro de fuga. Mas também há esperteza e agilidade no garotinho quando o assunto é sobreviver para rever a sua família.

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Espere por um roteiro com uma carga alta de emoção que oscila positiva e equilibradamente no seu desenvolvimento. A meu ver, a história prende a atenção do público do começo ao fim, juntamente com uma fotografia linda que ganha uma paleta de cores que mesclam entre o amarelo e azul; uma trilha sonora que tem o intuito de mexer gradativamente com a emoção do espectador; e, é claro, personagens que vão conquistar de imediato.

Em seu primeiro longa, Dorian Le Clech interpreta Joseph e carrega todo o filme naturalmente, uma vez que a história é contada sob o ponto de vista do seu personagem. Mesmo vivendo em uma das épocas mais terríveis, Joseph jamais deixa a infância de lado, carregando a pequena felicidade e a esperança de ser feliz com sua família novamente. Ele é responsável pelas cenas mais emocionantes do filme e de todas, há quatro cenas que irão comover muito o espectador. Prepare os lenços, pois o choro será inevitável. Não tenho do que reclamar: Dorian está perfeitamente bem e confortável em seu papel.

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Batyste Fleurial é Maurice, irmão mais velho de Joseph. De início, Maurice parece ser aquele menino que irá pegar no pé do irmãozinho, mas essa impressão logo passa quando o amor fraternal é jogado na nossa cara através das atitudes mais lindas do personagem. Maurice é aquele que se arrisca para defender e proteger irmão a qualquer custo. A cumplicidade torna-se verdadeira na tela o que deixa ainda mais nítido o carinho entre os dois e convence o público de imediato. A química dos dois atores funciona muitíssimo bem e vai encantar da primeira a última cena.

Roman é o patriarca da família Joffo e a forma como Patrick Bruel o interpreta é natural e emocionante. Orgulhoso de ser judeu, Roman engole todos os sapos para proteger a sua família, inclusive mentir para manter todos vivos. Junto com ele, temos a mãe, interpretada por Elsa Zylberstein. Anna arranja todas as forças para aguentar a separação da família e, por mais que isso doa, ela confia e acredita que os filhos se sairão bem estrada afora. A cada reencontro entre pais e filhos, a emoção bate forte no peito tornando todas as cenas inesquecíveis.

Considerações finais

O final não entra em detalhes, mas dá a entender sobre o destino de alguns personagens que, obviamente, ficam claros para o espectador. Os Meninos Que Enganavam Nazistas conta uma história verídica sob o olhar de uma criança que sobrevive a um dos momentos mais tristes já registrados na história mundial. A trama ganha força com sua carga emocional e um desenvolvimento delicado, terno e com toques de humor, em que o espectador não vai ver mais uma história de guerra e, sim, a bravura de dois irmãos que lutam para sobreviver e, assim, ter suas vidas felizes novamente. É um filme que, com certeza, vale a pena assistir, pois essa é uma história que ficará em sua mente por um bom tempo.

E aí, o que acharam do filme? Deixem nos comentários!  

Ficha Técnica

Os Meninos Que Enganavam Nazistas

Direção: Christian Duguay

Elenco: Dorian Le Clech, Batyste Fleurial, Patrick Briel, Elsa Zylberstein, Christian Clavier, Bernard Campan, Kev Adams, César Domboy, Ilian Bergala, Emilie Berling, Vincent Nemeth, Luc Palun e Lucas Prisor.

Duração: 1h53min

Nota: 8,9