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Resenha: Dunkirk

Filme faz uma imersão profunda sobre uma história de sobrevivência

Dunkirk não é só mais uma história de guerra que chega ao cinema. O filme é uma imersão profunda sobre uma história de sobrevivência. Baseado em fatos reais, Dunquerque é uma cidade portuária no norte da França, situada a 10km da fronteira com a Bélgica. Durante a Segunda Guerra Mundial, a cidade foi palco da Batalha de Dunquerque, em 1940. Uma pausa na intensidade dos combates permitiu, inesperadamente, a evacuação de mais de 300 mil soldados ingleses e aliados. Apesar do bombardeio constante (chamado de “o milagre de Dunquerque”, nas palavras de Winston Churchill), a evacuação recebeu o nome de Operação Dínamo.

Christopher Nolan prova como fazer um filme com excelência, contando uma história profunda e íntima de uma guerra barulhenta e assustadoramente silenciosa. Os recursos cinematográficos são minuciosamente bem utilizados, o que deixa o filme ainda mais frio, emotivo e espetacular. No roteiro, Nolan trabalha muito bem a não linearidade, pois a estrutura narrativa é dividida em três blocos: na terra (1 semana); no mar (1 dia); no ar (1 hora); Por que estou explicando isso? Pelo simples fato de que, mesmo com a atenção totalmente voltada para o filme, é possível ainda se confundir um pouco, quando as cenas se mesclam entre o dia e a noite. Mas isso não significa que o filme seja confuso e muito recortado, pois o diretor toma o cuidado de costurar muito bem a linha temporal fora de ordem. Assim que a estrutura narrativa é compreendida, o filme flui naturalmente aos olhos do público. Aliás, essa técnica é bastante usada por Nolan e quem conhece outros trabalhos do diretor, vai estar acostumado com isso.

Já assistiu Até o Último Homem?

Quando digo que o filme é imenso e íntimo, significa que o longa consegue retratar muito bem as pequenas vidas de pessoas simples que estavam em meio a uma grande guerra para representar e proteger o país. Ou seja, o que importa não são os tiros, as bombas e aquela correria desesperadora que estamos acostumados a ver nos filmes de guerra e, sim, a sobrevivência daqueles que fogem do inimigo em meio ao ar, a terra e o mar. Por meio de suas expressões e atitudes vemos o medo, a tristeza e a frieza nos olhos dos personagens em meio ao caos sorrateiro e perigoso.

Um dos recursos que reforça esses sentimentos e aumenta ainda mais a tensão é o diálogo curto e escasso. Nolan prova que a ‘palavra’ pode ser dispensável, uma vez que o filme consegue contar a história com imagens, uma excelente montagem e ótimos movimentos de câmeras que fazem boas transições entre perspectivas – seja do capitão que está monitorando um novo ataque dos inimigos; os soldados que lutam dentro dos navios que estão afundando; e os civis que se dispuseram a ajudar os soldados. A trilha sonora de Hans Zimmer tem uma força estrondosa e um papel fundamental de imergir o espectador em meio à guerra. O design de som e a trilha alta e rítmica faz o público se sentir dentro do filme com a sensação de que também está correndo do inimigo e sobrevivendo aos bombardeios e naufrágios. A fotografia ganha uma paleta de cores frias que mesclam entre o azul, verde e cinza.

Personagens

O elenco conta com nomes de força, como Tom Hardy, Mark Rylance e Harry Styles. Chega a ser difícil analisar os personagens separadamente, uma vez que as interpretações fluem em conjunto. No ar, Farrier (Tom Hardy) tem a árdua tarefa de comandar aviões de combate da RAF – Força Aérea Real Britânica – para combater o inimigo no céu; Na terra, Alex (Harry Styles), Tommy (Fionn Whitehead) e Gibson (Aneurin Barnard) lutam com unhas e dentes para sobreviver e utilizam da frieza e certo otimismo em suas interpretações para encontrar uma ponta de esperança; Mr. Dawson (Mark Rylance) é o civil herói que parte para resgatar os soldados em Dunquerque. Todos eles executam seus papéis com simplicidade e maestria, mas não espere uma personalidade mais profunda de cada um deles, pois não tem. Nolan optou por não injetar isso e apenas mostrar como todos eles trabalham em meio ao caos.

Considerações finais

Dunkirk não é só um filme de guerra. É a história de pessoas simples que sobreviveram ao caos barulhento e um perigo silencioso que consegue emocionar sem exageros. Mas, muito mais que do que uma história de sobrevivência, Dunkirk é a prova de como fazer um filme de primeira, utilizando elementos cinematográficos essenciais: diálogos curtos e dispensáveis; ótima montagem e trilha sonora que dá o tom e o caminho para o espectador imergir na trama fria e triste; interpretações que funcionam muito bem em conjunto, o que faz o público entender exatamente o que está acontecendo ali, sem precisar recorrer a uma narração ao fundo. Assistam e desfrutem desse belo trabalho de Christopher Nolan nos cinemas. A experiência será melhor ainda se vocês assistirem em uma sala IMAX.

E aí, o que acharam do filme? Deixem nos comentários!

Ficha Técnica

Dunkirk

Direção: Christopher Nolan

Elenco: Fionn Whitehead, Harry Styles, Tom Hardy, Mark Rylance, Kenneth Branagh, Jack Lowden, Aneurin Barnard, James d’Arcy, Barry Keoghan, Cillian Murphy, Adam Long, Damien Bonnard, James Bloor, Bobby Lockwood e Elliott Tittensor.

Duração: 1h47min

Nota: 10