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Resenha: Tal Mãe, Tal Filha

E se você e sua mãe engravidassem ao mesmo tempo?

Duas personagens. Mãe e filha. Personalidades distintas em corpos diferentes. Será que já vimos essa história em algum lugar? Calma, você deve estar achando que a trama é parecida com as comédias Uma Sexta Feira Muito Louca ou Se Eu Fosse Você, em que os personagens trocam de corpos. Mas este não é exatamente o caso. Dirigido por Noemie Saglio, Tal Mãe, Tal Filha vai abordar como cada personagem se posiciona diante da vida e como elas lidam com os próprios problemas familiares e seus relacionamentos. A comédia francesa conta a história de Avril (Camille Cottin), uma mulher de 30 anos, casada, com emprego fixo e extremamente determinada a organizar a sua vida pessoal e profissional ao mesmo tempo. Ela é completamente o oposto de sua mãe, Mado (Juliette Binoche), uma mulher que, ao auge dos 50 anos, é divorciada, aventureira, não tem casa própria e pode ser considerada uma mulher com espírito adolescente e irresponsável que vive às custas da filha. O caminho das duas muda radicalmente quando ambas engravidam ao mesmo tempo, porém em condições bem diferentes: enquanto Avril sonha em ter uma família, Mado precisa tomar a decisão de colocar um segundo filho no mundo, além de aceitar o fato de que será mãe novamente. No entanto, é essa decisão que provará que a vida de mãe e filha nunca foi fácil, mas que o amor que uma sente pela outra é verdadeiro, mesmo com os altos e baixos neste percurso.

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Em primeiro lugar, o mais interessante da história é ver a semelhança e diferença tanto das personagens quanto das próprias atrizes. Noemie fez questão de escolher duas atrizes de idades diferentes, mas que, quando colocadas uma ao lado da outra, fica difícil acreditar que são mãe e filha. Além disso, a história permeia pela diferença das personalidades de ambas. Espera-se que a filha seja um pouco mais aventureira, enquanto que a mãe tenha mais responsabilidade e firmeza. Porém, os papéis se invertem, o que dá mais graça à trama e até brinca a respeito das idades das personagens, quando alguém duvida de que realmente são mãe e filha. Estou dizendo isso, pois quem for assistir, talvez ache estranha essa diferença de idade, mas leve em consideração que tal escolha tenha sido proposital e o filme não só deixa isso claro, como também caçoa dessa estranheza.

Aliás, ver essa troca de personalidades foi um dos motivos que me fez assistir ao filme e, posso dizer que sai da sala do cinema satisfeita e feliz. A história faz você rir em diversos momentos, principalmente com as cenas de Avril no trabalho – já que sua profissão é testar odores de perfumes para banheiro; a garota surtando com a gravidez e a irresponsabilidade da mãe; Mado lidando com o fato de ser mãe novamente, juntamente com a reaproximação do ex-marido Marc (Lambert Wilson) que, por sinal, tem cenas curtas e hilárias no filme não só com a ex e a filha, mas também com o seu cachorrinho.

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Não espere um roteiro aprofundado, extremamente detalhado e cheio de camadas complexas. A proposta da comédia francesa é divertir o público com uma história que é até comum na vida real. A ideia de Tal Mãe, Tal Filha surgiu quando a diretora (e também roteirista) leu em uma revista feminina que a mãe de uma leitora havia engravidado ao mesmo tempo que ela. “Estávamos à procura de uma história sobre mulheres, que tanto fizesse rir quanto emocionar. Quando lemos o testemunho desta jovem mãe, concluímos que era o ponto de partida ideal para um filme e começamos a trabalhar. Começamos a pesquisar e percebemos que esses casos de mães e meninas grávidas ao mesmo tempo eram bastante comuns, especialmente na Grã-Bretanha, em círculos populares.”, disse Saglio.

Mas também não se preocupe caso você questione o filme em alguns momentos (eu fiz isso), pois o espectador até fica curioso em saber com mais detalhes como era o relacionamento de mãe e filha (na infância e adolescência de Avril), o comportamento de Mado nessa época, o porquê do seu divórcio e a razão dela não ter dado uma guinada na vida, vivendo sob o mesmo teto da filha até hoje. Aliás, um ponto interessante é que o filme ressalta o medo de cortar o “cordão umbilical” e, por mais que as duas se desentendam, elas também têm receio de se desconectar, especialmente por parte de Mado.

Considerações finais

A comédia francesa Tal Mãe, Tal Filha chega com uma história até meio clichê, mas divertida, envolvente e até com pontos muito interessantes sobre relacionamento maternal. O roteiro é simples e satisfatório, a trilha sonora é bem selecionada e muito gostosa de ouvir e os personagens são bons e engraçados, com destaque para Juliette Binoche e Lambert Wilson que, tanto juntos quanto separados, garantem boas cenas.

E aí, o que acharam do filme? Deixem nos comentários!

Ficha Técnica

Tal Mãe, Tal Filha

Direção: Noemie Saglio

Elenco: Juliette Binoche, Camille Cottin, Lambert Wilson, Michael Dichter, Olivia Côte e Jean-Luc Bideau.

Duração: 1h34min

Nota: 7,0